Publicado por: Andrei Luswarghi | janeiro 24, 2009

1920s

Nasci tarde demais.
Tenho sentimentos
Já documentados
Por vários e vários
Poetas de verdade.
Tenho idéias, várias:
Todas já derrubadas,
Divulgadas
Ou postas em prática
Mas nunca por mim.
Que faço?
Escrevo por escrever,
Falo pelo simples
(e obviamente conhecido)
Prazer de falar?

(Mas, como consolo,
Ao menos me restam
As experiências
Que apenas eu vivo.
Mas… Pensando bem
Não são todas elas,
Sem exceção,
Compartilhadas por outros?)

Queria ter nascido antes,
Muito antes.
Poder, quem sabe,
Ser o primeiro a descrever
Moderna, espontaneamente
Essas sensações todas.
Escrever tudo isso
(essas coisas sem sentido)
Ao menos antes de outros
Que, certamente,
O fazem com maestria
(e me deixariam, afinal,
com o sentimento tolo
de ser pelo menos original)?

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Publicado por: Andrei Luswarghi | setembro 18, 2008

Invasor

Não como amor.
Não bebo, não respiro amor.
Não sou feito de amor.
Ainda assim,
Cada parte de mim ama a todo instante.
Cada vez mais, sou tomado de amor
E me descontrolo por amor.

Publicado por: Andrei Luswarghi | setembro 15, 2008

Compromisso

O amor pergunta por mim, há tempos…
Pergunta onde estou, que não me acha nunca.
Pergunta aonde vou, onde estou.
Pergunta se pode me visitar, por um breve momento.
Quer sempre saber se, de alguma forma
(não sei, nem nunca soube qual)
Pode vir morar comigo por um tempo.
Não posso se não dizer-lhe a verdade
Que, mesmo detestada, permanece:
Tenho um encontro, meu caro.
Vou ver minha própria ilusão e, depois,
Visitar minha solidão.

Publicado por: Andrei Luswarghi | agosto 31, 2008

Certezas, certezas.

O Sol é sempre o mesmo.
A Lua é sempre a mesma.
A maneira como nascem e se poem
É sempre a mesma.
A maneira como toca o despertador,
O copo em que tomo o café,
A janela que abro, a escova que uso
Sempre os mesmos.
Até o tempo, que costumava improvisar,
É o mesmo.
Ainda assim, cada sorriso,
Cada olhar, cada toque
Me parece único.
São sempre as mesmas pessoas,
E, ainda assim, estão sempre diferentes.
São os mesmos modos de tocar,
Os mesmos jeitos de sorrir,
Os mesmos dentes, os mesmos lábios…
Mas, cada vez, a beleza que têm é única.
Cada abraço é único. Cada voz,
Cada palavra dita
– por mais que repetida
por semanas e semanas, sempre –
É única.

Não é o Sol, não é a Lua
Não é mesmo o canto matinal dos beija-flores.
É cada pessoa que encontro
Que me permite acordar, cada dia,
Com alguma esperança de sentir algo novo.

Publicado por: Andrei Luswarghi | agosto 12, 2008

Passa

O tempo tem passado rápido demais. Às vezes, para bem (mal vi as férias, meu ócio quase infinito não pareceu durar tanto quanto usual) mas, quase sempre, para mal: os bons momentos passam rápido demais. Os maus momentos são tão duradouros que nem a passagem acelerada do tempo pode combater sua eternidade. A tristeza já não tem fim, mas a felicidade sim, como diria Vinícius.

Mais importante que o tempo, a vida tem passado rápido demais e, simplesmente, já não consigo desfrutá-la, temendo que seja cada vez mais tarde para isso. Cada momento passa, vejo-o passando, tento agarrá-lo, aproveitá-lo, mas simplesmente já não consigo. Chega a ser uma tortura: cada segundo, cada minuto, cada hora me escorrega aos poucos e eu, consciente mas relutantemente, deixo que passe sem agarrar ou tirar todo o possível.

Confesso que não sei os porquês. Posso aproveitar alguns, fato, mas são tão raros e esparsos, agora, que já não mais os noto. Aproveito os momentos com algumas pessoas, alguns bons amigos e só. Aproveito um ou outro desafio. O resto não me anima de forma alguma. Boa parte das risadas é falsa. Parte dos sorrisos, não os quero. Não sei se faltam desafios plausíveis, se sobram os implausíveis, se simplesmente já não há, realmente, graça em fazer o que faço. Se me tornei alguém incompatível com o mundo. Talvez todos esses e ainda a solidão perpétua me desanimem à vida, tirem dela qualquer possibilidade de aproveitamento, como me vem acontecendo. Não sei. Talvez seja drama puro, que um de meus eus adora fazer. Talvez seja apenas uma visão pessimista. Talvez eu deva, de fato, desistir. Não sei, não sei.

Só sei que não há mais desafio animador, e apenas a música, sorrisos e poucas presenças ainda me dão esperanças…

Publicado por: Andrei Luswarghi | agosto 9, 2008

Refletindo

O espelho me fez perceber. Estava ali, prova irrefutável: um fio branco de cabelo denunciava o que vinha passando, afinal, e negando por tanto tempo. Não havia aparecido uma ruga sequer (talvez ainda não estivessem prontas, ainda, não sei como), mas um fio branco é inegável.

Fiquei assombrado por um tempo, olhando e pensando. Fazer a barba , escovar os dentes, mas sem um pingo de atenção. Fisicamente, aqueles momentos nunca existiram. Só sei o que se passou pela fatigante rotina, incessante já há tanto tempo.

Andei um aparentemente longo caminho até a cozinha. O café não estava pronto, nunca estaria. Não havia quem o fizesse, nunca houve, desde meus quinze anos (já tardios, se me perguntarem). Não morava com parente algum. Não tinha família, nunca tinha tido – não por não tentar, isso o garanto – e não tinha faxineira, cozinheiro ou qualquer outra pessoa que trabalhasse antes de já avançada a tarde. Dons domésticos, jamais os tive de qualquer espécie: comi sempre fora, ou a comida que me prepararam; a casa, todo o tempo, se ficasse sem alguém para limpá-la e organizá-la, estaria então em ruínas. Vivi a vida toda longe, pensando em qualquer coisa irreal, sonhando com algo à frente e que jamais chegava, fosse por ser simplesmente inalcançável, fosse por contar com vontades de outros que jamais se mostraram presentes ou mesmo, em qualquer momento, possíveis. Sempre fui um perfeito estrategista e um perfeito idiota. Sempre soube que caminho seguir, claramente, mas nunca o fiz, por razões pessoais ou por interferências alheias (aqui, o café já estava frio). Aliás, interferências jamais me faltaram. Superei grande parte delas, mas não todas. As principais e as que eu precisava, de fato, superar, jamais pude. Jamais amei de forma correspondida. Jamais chorei por isso, também. Aliás, não havia vertido uma lágrima sequer por anos a fio, mais do que poderia me lembrar (talvez a última que um travesseiro meu tenha conhecido fosse ainda de adolescente). Ao menos até então, nada necessitava de sentido: tudo se mantinha no lugar sem esforço, pois eu jamais procurara razões ou coisa que o valha para questionar quaisquer fatos que fossem, quaisquer aspectos existentes em mim, nos outros ou à minha volta.

Por um breve momento, pensei em chorar. Mas o que choraria? Minha solidão? Minha inaptidão, meus delírios, minha loucura há tanto conhecida? Qual seria a diferença? O que me faria chorar, de fato?
Apenas pude desistir do café ao olhar pro relógio, antes de sacar a mala e correr aos números que me refugiavam e enganavam por tanto tempo, a ponto de me deixarem esquecer…

Publicado por: Andrei Luswarghi | agosto 5, 2008

Silêncio

Silêncio.
Tudo que quero é o silêncio.
O silêncio de um beijo.
O silêncio de um olhar.
O silêncio da certeza,
E também o da incerteza.
Quero ter a meu redor
Todo o silêncio que mereço
Por amar incondicionalmente.
Quero ter, apenas, em mim
Silêncio para olhar
Pensar, refletir, imaginar
Sonhar.
Quero apenas silêncio.
Palavras não bastam.
Músicas, muito menos.
Suspiros incômodos?
Quero apenas um silêncio
Certo e seguro
De que tudo vale
O tempo que custa.

Publicado por: Andrei Luswarghi | agosto 4, 2008

Jogo

É um jogo. Sempre foi um jogo. Sempre será um jogo. Se vou continuar jogando, não sei. Se alguma vez joguei seriamente, muito menos. O fato é que, como em todo o resto, se jogo, não jogo bem. Não jogo propriamente. Se percebo que desisto de jogar, me recrimino pela covardia. Se percebo que quero continuar a jogar, logo me acho tolo. Não posso jamais vencer, não posso jamais sequer avançar um simples passo. Triste? Não tanto quanto a percepção disso tudo, sem dúvidas. O fato é que saber que se joga tira do jogo parte da graça e, em realidade, leva logo ao sentido de que não se pode, jamais, vencer. E, curiosamente, ainda me recrimino por, mesmo tendo toda a consciência da derrota, ter tanto prazer em jogar. Porque não há nada que eu possa fazer para substituir cada toque ou sorriso. Meu lado humano não permite. Meu lado frio se recusa. Os outros, todos, assistem, indecisos, mas confortáveis. E, afinal, quedo indeciso e fraco, e continuo jogando, eterna e indefinidamente, esperando uma chance de ver soar o fim, de todo o jogo ou apenas da parte confusa e indefinida que ele representa, apenas para iniciar, como em todo lugar se inicia, real amor. Só sei que tudo leva à loucura e eu nada posso se não bravamente resistir…

Não esperem textos bonzinhos… Entrementes é justamente por não ter textos realmente inteligíveis fora de mim…

Publicado por: Andrei Luswarghi | agosto 3, 2008

Self-titled debut

Passo os dias sem saber quem sou.
A cada instante, mudo infinitamente:
Algo de mim se vai, não sei aonde
E outro tanto cai, não sei como,
E volto a estar completo.
Completo, mas não mais o mesmo
E isso ocorre a todo instante.
Passa hora, minuto, segundo
E mudo indefinidamente,
Sem saber, sem perceber
Se para sempre
Se por um momento
Se por algo
Se por alguém.

A cada momento, me torno outro:
Ateu ou crente
Decidido ou ausente
Vago entre minhas mentes.
Estou sempre, sem querer
Recriando meu próprio ser.
Por vezes, gosto do que vejo
Por outras, apenas desejo
(em vão, obviamente)
Ser alguém diferente.

E, como Pessoa, crio tantos
Que, completos como são,
Deixam de ser eu, são outros
Para quem quiser ver.

(Fase rebelde por estar puto com o fim do Tec. Bem-vindos. Aliás, provavelmente, só meus outros eus vão ler o blog)

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